O CODEX 632, ou como as expectativas podem desiludir

O Codex 632

de José Rodrigues dos Santos
550 pages, Gradiva (2005)
A mensagem foi encontrada entre os papéis que um velho historiador deixara no Rio de Janeiro antes de morrer. MOLOC NINUNDIA OMASTOOS
Tomás Noronha, professor de História da Universidade Nova de Lisboa e perito em criptanálise e línguas antigas, foi contratado para descodificar esta estranha cifra. Mas o mistério que ela encerrava revelou estar para além da sua imaginação, lançando-o inesperadamente na pista do mais bem guardado segredo dos Descobrimentos: a verdadeira identidade e missão de Cristóvão Colombo.Baseado em documentos históricos genuínos, O Codex 632 transporta-nos numa surpreendente viagem pelo tempo, numa aventura repleta de enigmas e mitos, segredos encobertos e pistas misteriosas, aparências enganadoras e factos silenciados, num autêntico jogo de espelhos onde a ilusão disfarça o real para dissimular a verdade.

Confesso que nutria uma certa curiosidade em relação a este romance de José Rodrigues dos Santos. Mais que curiosidade sobre a história em si, interrogava-me se o livro possuiria créditos próprios ou se a sua fama estaria somente assente no facto de o autor ser uma figura pública. A resposta que obtive a esta questão poderá não ser a mais popular, mas é a que me parece mais adequada. À semelhança de muitos outros, este é um livro que não teria tido o sucesso que teve caso tivesse sido publicado por outra pessoa. O nome, neste caso, é o que vende.

Admito que o livro está bem pesquisado (como jornalista, o autor tinha mais que obrigação disso), porém pouco mais há de positivo a apontar. A história é demasiado parada, com pouca acção e uma ausência quase total de perigos externos. Perigos internos, existem vários, mas um romance não pode viver só do que se passa “dentro” dos personagens. Certas passagens são demasiado longas, diria mesmo enfadonhas. Trinta a cinquenta páginas de conversa não é apenas exagero: é algo que, como já referi, a ser feito por outro seria logo criticado.

Todavia, a falha maior está no personagem principal, Tomás Noronha, que ora sabe tudo e mais alguma coisa, ou não sabe nada. Eu admito que ele possa não saber tudo, no entanto, em certas partes do livro, a sua ignorância só existe para que o seu interlocutor possa ter mais espaço de diálogo. É uma ignorância de conveniência, nada mais.

Estava à espera de melhor ou, pelo menos, de algo diferente. Se calhar, foi essa expectativa que estragou tudo. Fica por saber se me darei ou não ao trabalho de ler mais alguma coisa deste autor. Talvez, sabendo ao que vou, a minha opinião seja diferente.

Votação: 2 de 5
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